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Boa Vista - RR, 23 de março de 2026 as 11:58

Clima hipertrópico já ameaça a Amazônia, alerta estudo

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Secas cada vez mais quentes indicam que a Amazônia já vive condições previstas para o fim do século, com impactos no clima, na floresta e na vida urbana no Brasil.

A Amazônia, historicamente conhecida por seu clima úmido e chuvas frequentes, começa a apresentar sinais claros de uma transformação profunda. Um novo estudo conduzido por cientistas brasileiros e internacionais aponta que a combinação entre calor extremo e longos períodos sem chuva  as chamadas secas quentes  já antecipa um cenário climático projetado para as próximas décadas: o chamado clima hipertrópico.

Esse fenômeno representa um estado climático ainda mais quente do que o atual clima tropical, com extremos de temperatura, maior secura do ar e impactos diretos sobre a vegetação, os ciclos da água e o equilíbrio climático global. Segundo os pesquisadores, eventos que antes eram raros e associados a anos específicos de El Niño estão se tornando mais frequentes e intensos na região amazônica.

Diferentemente de uma estiagem comum, a seca quente ocorre quando três fatores se sobrepõem: redução drástica das chuvas, temperaturas elevadas e ar extremamente seco. Essa combinação aumenta a chamada demanda evaporativa da atmosfera, que passa a “retirar” água do solo e das plantas com mais intensidade. Na prática, árvores da floresta amazônica entram em estresse hídrico mesmo em um bioma tradicionalmente úmido.

Monitoramentos realizados por mais de 30 anos, com sensores instalados em árvores, solos e torres climáticas, revelaram que existe um limite crítico de umidade do solo. Quando esse limite é ultrapassado, a floresta muda seu funcionamento: a transpiração cai rapidamente, as folhas deixam de se resfriar e o ciclo de reciclagem da umidade  essencial para a formação das chuvas  é interrompido.

Áreas mais vulneráveis incluem florestas degradadas, regiões de borda próximas ao desmatamento e vegetações secundárias, compostas por espécies de crescimento rápido e madeira leve. Nessas condições, áreas que hoje absorvem carbono podem se transformar em fontes de CO₂, agravando o aquecimento global.

Os modelos climáticos indicam que episódios extremos, como os registrados em 2015–2016 e 2023–2024, tendem a se tornar comuns. Para o Brasil, isso significa mais incêndios florestais, prejuízos à agricultura, ondas de calor mais intensas nas cidades e perda de serviços climáticos essenciais prestados pela Amazônia.

Ao mesmo tempo, o estudo reforça que ainda há margem para ação. Reduzir o desmatamento, restaurar áreas degradadas e proteger florestas maduras são estratégias decisivas para evitar que o clima hipertrópico se consolide. O futuro da Amazônia — e do próprio equilíbrio climático do planeta  depende das escolhas feitas agora.

Redação

Referencia: https://www.tempo.com/