Uso ilegal de cianeto em garimpos da Raposa Serra do Sol ameaça comunidades indígenas, contamina rios e mobiliza autoridades ambientais e federais.
A descoberta de piscinas contendo cianeto em plena Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, reforçou a gravidade da expansão do garimpo ilegal na região e trouxe preocupação imediata às autoridades ambientais, de segurança e de saúde pública. A operação Fox Uno, conduzida pela Polícia Federal em junho, encontrou estruturas clandestinas que armazenavam a substância altamente tóxica, utilizada para separação e processamento de ouro.
Segundo a investigação, ao menos três comunidades indígenas vivem próximas às chamadas “piscinas de cianeto”, o que eleva o risco de contaminação direta e indireta. Por serem áreas abertas e localizadas próximas a córregos e áreas habitadas, o material tóxico pode infiltrar-se no solo, atingir os cursos d’água e comprometer a fauna e a saúde da população local. Esta página com palavra-chave.
O Ministério Público Federal (MPF) explicou que a ação do cianeto no garimpo é semelhante à do mercúrio, ambas empregadas para separar o ouro de outros minerais. No entanto, o impacto ambiental do cianeto é ainda mais profundo e imediato, causando intoxicações agudas, problemas respiratórios, danos neurológicos e risco de morte quando há exposição intensa. Ambientalmente, o produto pode destruir ecossistemas inteiros, afetando peixes, vegetação e a qualidade da água utilizada pelas famílias indígenas.
A Terra Indígena Raposa Serra do Sol abriga mais de 26 mil indígenas de cinco povos diferentes, distribuídos em três municípios que fazem fronteira com a Guiana. A presença crescente de garimpeiros nessa região demarcada e protegida agrava tensões territoriais e ameaça o modo de vida tradicional das comunidades.
Diante da gravidade da situação, o MPF recomendou medidas emergenciais para evitar um desastre socioambiental. O Ministério do Meio Ambiente informou que atua em conjunto com Brasil, Guiana e Suriname por meio de um grupo trilateral de combate ao garimpo ilegal, reforçado pelo projeto CoRAmazônia.
Apesar da operação policial, a remoção segura do cianeto não pôde ser realizada por falta de técnicos especializados e equipamentos adequados, evidenciando outro desafio: o país carece de infraestrutura para lidar com substâncias tão perigosas em áreas remotas.
Enquanto aguarda ações mais firmes de fiscalização, cooperação internacional e proteção territorial, a população indígena da Raposa Serra do Sol permanece vulnerável, enfrentando uma ameaça que ultrapassa fronteiras e compromete a vida e o equilíbrio ambiental.
Fonte: PF/RR