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Boa Vista - RR, 24 de março de 2026 as 07:16

OMS reafirma: vacinas não têm ligação com autismo

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Organização Mundial da Saúde confirma, com base em estudos internacionais, que imunizantes são seguros e não têm qualquer relação com autismo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, nesta quinta-feira (11), um novo parecer internacional que reforça, mais uma vez, a inexistência de qualquer relação entre vacinas e o transtorno do espectro autista (TEA). O documento, apresentado pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, descarta conclusões recentemente difundidas pela principal agência sanitária dos Estados Unidos, que passou a sustentar uma teoria sem respaldo científico sobre supostos vínculos entre imunização e autismo.

Segundo Tedros, a nova análise foi conduzida pelo Comitê Consultivo Global sobre Segurança de Vacinas e avaliou 31 estudos publicados entre 2010 e 2025, desenvolvidos em diferentes países e envolvendo vacinas aplicadas tanto na infância quanto durante a gravidez. Esses estudos consideraram imunizantes que utilizam componentes como tiomersal  um conservante presente em algumas formulações  e adjuvantes à base de alumínio, amplamente utilizados para aumentar a resposta imunológica.

“O comitê concluiu que as evidências científicas não mostram qualquer relação entre vacinas e autismo, inclusive aquelas que contêm alumínio ou tiomersal”, afirmou o diretor-geral, reforçando que esta é a quarta revisão internacional do tipo. Exames semelhantes realizados em 2002, 2004 e 2012 chegaram exatamente à mesma conclusão, evidenciando a consistência das pesquisas acumuladas ao longo de décadas.

Tedros destacou ainda que a vacinação é uma das medidas de maior impacto na saúde pública mundial. Ele lembrou que, nos últimos 25 anos, a mortalidade infantil em menores de cinco anos caiu de 11 milhões de mortes por ano para 4,8 milhões. Esse avanço, segundo a OMS, deve-se principalmente à ampla cobertura de imunização e à redução de doenças preveníveis, como sarampo, rubéola, caxumba, difteria, poliomielite e outras enfermidades historicamente responsáveis por altas taxas de mortalidade.

A divulgação desse parecer ocorre em um momento de crescente debate público sobre desinformação relacionada a vacinas. A principal agência de saúde dos Estados Unidos, o CDC, passou recentemente a endossar teorias que relacionam imunização ao autismo, impulsionada por pressões políticas do ministro da Saúde norte-americano, Robert Kennedy Jr. A OMS não citou diretamente o órgão, mas enfatizou que decisões de saúde pública devem se basear em evidências sólidas e não em pressões externas ou interpretações sem rigor científico.

Especialistas lembram que a crença equivocada sobre uma relação entre vacinas e autismo ganhou força após um estudo fraudulento publicado em 1998, posteriormente retirado pela revista científica e desmentido por dezenas de pesquisas posteriores. Mesmo assim, o mito segue sendo explorado por movimentos antivacina, ampliando riscos à saúde pública e contribuindo para surtos de doenças já controladas.

Ao reafirmar sua posição, a OMS reforça a importância de manter altas taxas de vacinação e enfrentar a desinformação com transparência, evidências e comunicação direta com a população.

Fonte: Jovem Pan