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Boa Vista - RR, 10 de maio de 2026 as 00:33

Protesto na COP30 termina em confronto com seguranças

REUTERS/Anderson Coelho

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Manifestantes invadem acesso à cúpula climática e reforçam cobrança por proteção à Amazônia

BELÉM (PA) – A tarde da terça-feira (11) ficou marcada por um protesto vigoroso no âmbito da COP30, quando dezenas de manifestantes indígenas forçaram a entrada no espaço oficial da conferência na cidade de Belém e se confrontaram com guarda-seguranças do evento. O episódio ocorre em um momento de forte simbolismo: tratar-se da primeira conferência do clima da United Nations a ocorrer na região amazônica, palco de disputas por territórios, recursos e políticas ambientais.

Os manifestantes, muitos ostentando cocares e artefatos tradicionais, marcharam até o acesso denominado “zona azul” da COP30, ambiente reservado às delegações oficiais  e, segundo testemunhas, romperam barreiras de segurança antes de entrarem no edifício principal. Um dos dirigentes indígenas, identificado apenas como Nato, da comunidade Tupinambá, declarou:

“Queremos nossas terras livres da agroindústria, da exploração de petróleo, da mineração ilegal e da extração de madeira.”

Eram visíveis banners com expressões como “Our land is not for sale” e “We can’t eat money”, que expressavam o descontentamento com o que consideram um processo de decisão ambiental em que os povos indígenas têm pouca voz efetiva. A segurança do evento relatou que dois seguranças tiveram ferimentos leves e que o acesso principal foi fechado temporariamente para reparos após o acesso ter sido comprometido.

A incursão reforça críticas de que, apesar da ênfase na Amazônia, os mecanismos de decisão na COP permanecem dominados por governos e setor privado, com pouca inserção das comunidades tradicionais no centro das negociações. “Eles não estão contra o governo. Eles querem o governo ao seu lado, mas que seja honesto com todos”, afirmou Margareth, da comunidade Maytapu.

Apesar do incidente, os organizadores da COP30 garantiram que as negociações prosseguem normalmente e que o local está totalmente seguro. A atenção agora volta para como as reivindicações indígenas serão incorporadas nas deliberações da conferência: entre os temas centrais está a proteção das florestas da Amazônia, um importante sumidouro de carbono no planeta.

O protesto no segundo dia da COP30 revela que a conferência, embora realizada no coração da Amazônia, ainda enfrenta o desafio de efetivar a voz das populações indígenas no processo climático global  e indica que a mobilização dessas comunidades pode alterar a dinâmica das negociações a partir de agora.

Fonte: reuters